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CAFÉ COM LEITE

 

Barreira

 

 

  Quem sabe o que é; "umas boas horas de papo no pau-da-grosa"; uma partida de "pique-salva" até alta madrugada, na Praça da Matriz; uma guerra de "mamucha", Rua contra Barreira, envolvendo quase que toda a população, só de brincadeira? E quem é capaz de decifrar o enigma do "Pó-de-Broca" sendo fechado por questão de Segurança Nacional?!

             Só quem viveu de perto a plenitude romântica de Entre Folhas, pode compreender essas coisas.

             O magnetismo envolvente dos anos 60, banhava o seu vale, contrastando baladas dos Beatles, com uma boa seresta do Tetento, e o violão inconfundível de Jesus Tataruê; Roberto Carlos ganhava o Festival de San Remo e "Canzone per te" ganhava de imediato, interpretação magistral de "Neneba" nos grêmios literários do ginásio.

             De há muito que não se fala mais nisso. Não é prá menos. Hoje as luzes acontecem como nunca dantes, quando bruxuleavam por sobre as poças que espelhavam seu desejo de serem luzes de verdade, em toda a extensão da Rua de Cima.

             Tempos que não podem ser perdidos. A visita forçada, até a sede, demandava sacrifício imensurável de quem se arriscava; principalmente nos dias de verão, quando os céus, impiedosamente, despejavam suas águas torrenciais sobre nós, colocando de sobreaviso quem residia na Rua de Baixo.

             Por mais claudicante que fosse, Entre Folhas não se despojava de seu ar de ternura impregnante. Não é prá menos que se admire. Quem de um fio d'água entre folhas, se fez e se compôs; quem, bravamente resistiu, a todo tipo de interferência, e de um contraste político, introjetado em "capa-bodes", muito mais insignificantes, tornados cidades, ainda no fulgor esplendoroso de "Dona Leopoldina" (Piuiiii!!!) não poderia oferecer cenário tão capaz de evidenciar a alegria de um povo.

             Final de contas, passamos por todos os obstáculos e os vencemos. Superamos todos quantos nos precederam. Afinal, quem hoje estufa o peito e alça bandeira na Praça da Liberdade? Quem, afinal, hoje, recebe medalhas(eu disse medalhas) de mérito, das mãos de Governador de Estado?

             Mas, em nossa retina, a rotina é a mesma; conversa de fim-de-tarde no pau-da-grosa, subir Joaquim Campos, tomar uma média de café com leite no bar da Ziquinha, ir s´imbora prá casa, e deixar que o ar fresco e puro, abasteça-nos a alma, para sorrir no dia seguinte, bem de frente para o sol que nasce lá de detrás da Serra dos Ferreiras.

 
Dr. Wagner M. Martins

  É o bairro mais antigo de Entre Folhas. Havia a Rua João Teodolino Gomes, continuada