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LAIR ALMEIDA

A revolução dos costumes estava no comecinho de sua chegada, mas já “Eu era um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones”. Àquela época, Entre Folhas acontecia em câmara lenta. Os fatos nos chegavam através de boatos e mensagens vindas com os compradores de galinha ou de guaxima.

Noutros tempos, a comunicação local se podia fazer por telefone. Creio que o Cirinho é bem capaz de contar melhor essa história de telefone, pois a lenda nos informa que a Fazenda dos Ferreira, era um dos pólos ligados por telefone, sim, telefone daqueles que a gente vê em filmes de cow boy, com uma manivelazinha, que a roda, roda, roda(segundo dizem esta manivelazinha foi um martírio para alguns brasileiros; dizem que dá um choquezinho bastante enjoado)...

          Antônio Joaquim era como que o vanguardista da turma dos “psicodélicos” que reinava em nossas ruas. Trabalhava na Casa Nunes, de cujo dono era irmão, e, essa consangüinidade lhe fazia um “meio gerente” da loja, o que por outro lado lhe dava ares de importância e fausto. Os sonhos de consumo, na época eram bastante modestos(ainda não tínhamos as estrelas globais vendendo até capim seco na TV); Antônio tinha de seu uma “radiola” portátil, montada a partir da oficina eletrônica de meu pai, sustentada sobre um móvel estruturado em fórmica, fabricado em Vargem Alegre, pela Serraria do Nei Franco.

          Era o único aparelho fonográfico do gênero, disponível na época e, por assim o ser, todo mundo a tomava emprestado para ouvir o seu disquinho(eram os conhecidos compactos simples, compactos duplos ou Long Plays) comprado em Caratinga, na loja do Mário Mota. Uma das funções mais nobres desta “radiolazinha”(que o Vavato chamava de “fornoga, por exemplo...”) é que era instrumento indispensável da moçada na hora das serenatas em noites de lua cheia, e de minguante também.

          Lair Almeida, jovem espigado e bem falante aportava em nossa casa, onde deveria morar e aprender oficio, todo engomado, vindo das bandas da Lagoa do Indaiá. Trouxera como companheira inseparável, tal a radiolazinha de Antônio Joaquim, uma bicicleta Phillips, daquelas com garupeira, quadro duplo e farol movido a dínamo. Integrado à turma, sua bicicleta entrou na roda e, constantemente era emprestada a alguém que precisava dar um pulinho até a Barreira, ao Vai e Vem, Vargem Alegre, etc.

          Antônio chegou ao ponto de não mais se importar com sua radiola, que mais ficava emprestada que com ele, no entanto, Lair se cansou; indignado, escreveu de próprio punho, uma plaqueta em papelão e afixou-a sobre o farol da Phillips, onde se lia:

 NÃO É DE EMPRESTIMO E NEM DE ALUGEL”

          Aquilo foi o máximo. Emprestimo, sem o acento ainda vá lá, mas ALUGEL!

         Dr. Wagner Martins


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